
CÓDIGO
112. A E.G.A.L. possui um posicionamento político?
A Igreja Gnóstica não lida com assuntos políticos ou de Estado, mas recomenda a prática da moderação e da benevolência aos líderes em favor da realização da paz universal na humanidade. A Assembleia utiliza de todos os meios pacíficos para se opor a todas as formas de injustiça, sempre agindo em favor da equidade social e da assistência aos necessitados. Evidentemente, a E.G.A.L. se considera antagonista de todas as formas de intolerância e de preconceito religioso, de gênero, de raça e de orientação sexual. A violação desse princípio é inegociável e irrecorrível, sendo razão suficiente para o desligamento ex officio da comunidade.
113. Há uma característica ecumênica no seio da Igreja Gnóstica?
A Tradição de Sabedoria da E.G.A.L. é o Cristianismo. Alguns membros seguem as escrituras acerca de um Jesus histórico, outros buscam o Cristo Cósmico, outros ainda harmonizam esses Mistérios, vendo neles camadas de expressão e de compreensão. Cada um deve seguir os ditames da própria consciência. Nesse contexto, a E.G.A.L. não se fecha a outros saberes e Tradições de Sabedoria e procura criar diálogos profundos e férteis. O sentimento de ecumenismo, é claro, requer uma flexibilidade real e exige grande maturidade espiritual. Ecumenismo não é sinônimo de sincretismo. Nossa vocação causa em nós o sacrifício de nossas opiniões, ideias, vaidades e seguranças e, no lugar, expressamos valores mais profundos em nossas vidas: amor, verdade, compaixão, saúde do corpo, mente e espírito, beleza em todas as suas formas, quer seja na natureza, na cultura ou na vida espiritual. Cada Assembleia deve possuir uma atmosfera de aceitação, abertura e respeito e ser considerada como verdadeiro refúgio espiritual. Não há justificativa plausível quanto a seguir um direcionamento distinto desse.
Em essência, a unidade. Na interpretação, a liberdade. Em todas as coisas, a caridade. Em nossa diversidade encontramos nossa unidade. Essa é a grande teurgia da Ecclesia de Deus.
114. Qual a Promessa feita na Transmissão do Pater?
A Solene Promessa de que doravante não mentirei, não matarei, que cuidarei de meu corpo e de minha alma, bem como que nunca caminharei sozinho quando for possível ter um bom companheiro e que nunca abandonarei minha fé por medo da água, do fogo ou de qualquer outro tipo de morte.
115. O que foi recomendado à sua guarda no final da Transmissão do Pater?
Se eu quero entrar na Vida Eterna, devo guardar os mandamentos: amarás ao teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, e com todo o teu espírito, e ao próximo como a ti mesmo.
116. Qual o Código de Cavalaria adotado pela Ordem da Pomba do Paráclito?
Devemos amar a Deus sobre todas as coisas a ao próximo como a nós mesmos, encontrando, na Imitação de Cristo, uma importante chave para a elevação da alma;
Devemos manter atitude de serviço a Deus e à Divina Mãe, oferecendo a Ela todos os nossos méritos, conservando a humildade em todos os empreendimentos e rogando, diariamente, pelo apoio do Espírito Santo para o exercício do serviço em pobreza, castidade e obediência;
Devemos comparecer aos serviços religiosos e tomar parte dos sacramentos sempre que possível, auxiliando os Sacerdotes do Altíssimo em seu ministério e cooperando com a perpetuação dos antigos ritos e mistérios que nos aproximam do Incriado;
Devemos estabelecer um ritmo diário de oração e de recolhimento meditativo, preservando a técnica arcana e valorizando a repetição e a disciplina como fundamentos necessários para o estabelecimento da liberdade espiritual;
Devemos dedicar-nos, diariamente, antes de nos entregarmos ao sono, a um minucioso exame de consciência e, com humildade (pobreza de espírito) e coragem (de nos autoenfrentarmos), repassar todo o nosso dia, analisando os aspectos virtuosos ou não de nossas ações, bem como as nossas reações às adversidades do cotidiano, propondo-nos, ao final, corrigir-nos naquilo em que nos distanciamos dos ideais da Cavalaria, rogando a Deus e à Mãe que nos auxiliem nesse propósito.
Devemos render graças por nosso alimento, material e espiritual, compartilhá-lo com quem tiver fome e sermos gratos para com a experiência da vida;
Devemos honrar a memória dos santos, mártires e heróis e sermos leais aos irmãos e irmãs que se esforçam para empreender o caminho da Divina Demanda;
Devemos dizer a verdade, tomando a Deus como onipresente testemunha, de maneira a reconhecer, preservar e perpetuar a sacralidade da palavra proferida por um Cavaleiro;
Devemos assumir responsabilidade por nossas ações, preservar a pureza de propósito em cada um de nossos atos, observar a prudência e nos conservar coerentes para com nossos votos e solenes compromissos;
Devemos cultivar a nobreza e a magnanimidade da alma, exercitando a cortesia e a benevolência em relação a todos os seres, humanos ou não, bem como reconhecendo a natureza como uma expressão sagrada, o sacramento da Divina Mãe, envidando todos os esforços necessários para protegê-la.
Devemos observar a justiça e manter atitude de abertura e não julgamento, a menos que a pessoa, por suas próprias ações e atitudes, demonstre não ser digna de confiança;
Devemos defender a liberdade, reconhecendo a fagulha divina presente em cada um dos seres, conservando a tolerância e a paciência, e promover a justiça para com os fracos e oprimidos;
Devemos prestar auxílio aos enfermos de corpo e de alma, exercitar a hospitalidade, a misericórdia e experimentar, na fraternidade entre os homens, uma forma de aproximação com o Cristo;
Devemos combater a ignorância e o mal que dela se origina, viabilizando o acesso ao conhecimento, incentivando o cultivo da sabedoria e fortalecendo o enfrentamento do obscurantismo, da alienação e da manipulação da mente fraca;
Devemos ser incansáveis guardiões da cultura, protegendo as distintas expressões religiosas, artísticas e científicas, reconhecendo as vias espirituais da beleza, da sabedoria e da caridade, e ser guardiões da paz, recorrendo à violência unicamente quando não houver alternativa e somente para a autodefesa ou para a defesa daquele incapaz de defender a si mesmo.
Devemos observar a temperança, sendo moderados e comedidos em todos os assuntos, evitando os excessos que prejudicam o corpo e a alma;
Devemos alimentar a fortaleza e nunca abandonar o Cultivo das Virtudes para que, por meio da fé, da esperança e da caridade, a Graça Divina se realizem em nosso coração;
Devemos seguir o código e nos comprometer com a diligência e a coragem necessárias para que que nos mantenhamos no caminho ao qual nos propusermos percorrer.
117. Quais os Valores Cavaleirescos da Teosofia Cristã?
Os Valores Cavaleirescos da Teosofia Cristã são a Nobreza, a Pureza de Propósito, a Liberdade, a Coragem, a Misericórdia, a Sabedoria e a Hospitalidade.
118. Qual o significado da Nobreza?
Todo ser possui uma Centelha do Divino e a consciência dessa fagulha interna que subjaz à criação, em todos os seus níveis, constitui o mais alto nível de autoconhecimento e de experiência mística. Tal ato de consciência, o objetivo da Teosofia Cristã, é libertador, transcendente e experiencial, e é chamado de Gnose. A “Gnose” – literalmente “Conhecimento”, mas, mais precisamente, a “percepção” – é a raiz da nobreza no sentido da magnanimidade, do “ser conhecido” e considerado em virtude da generosidade e da grandeza de caráter. Acessar a Gnose e assumir a visibilidade decorrente desse processo implica na obrigação da coerência e do serviço em prol dos demais peregrinos.
119. Qual o significado da Pureza de Propósito?
O Universo manifesto existe em relação de continuidade com a Fonte Incriada e Incognoscível. O Cavaleiro cultiva a Virtude da Prudência, que é uma contração da “providência”, isto é, pro-videre ou “para prever”. Ter consciência da direção que está sendo tomada, bem como do seu destino, obriga o Cavaleiro a assumir uma atitude ciente e responsável por suas próprias ações e a valorizar a conservação da pureza de propósito e sua motivação. Ademais, uma vez que a Pureza de Propósito é a antítese do orgulho, da vaidade e do medo, o Cavaleiro não deixará de olhar para o seu dragão interior, as sombras que ainda habitam a sua alma, a fim de torná-la cada vez mais límpida, cristalina e, desse modo, apta a refletir com perfeição cada vez maior a luz dessa Pureza que, em essência, ele já é.
120. Qual o significado da Liberdade?
São muitas as vias que levam à consecução espiritual por meio da experiência mística e gnóstica. A promoção da liberdade de pensamento na busca do Caminho interior em direção ao Pai-Mãe é indispensável. O Cavaleiro compromete-se com a busca por escapar dos grilhões da própria ignorância e, simultaneamente, obriga-se a defender a liberdade em todas as suas formas.
121. Qual o significado da Coragem?
A experiência mística e a Gnose decorrentes do contato com a Alta Invisibilidade encorajam o coração do Cavaleiro. Abraçar a virtude da coragem e toda prática centrada no coração depreende-se da percepção de que o mundo foi ordenado como resultado da Fonte que continua se expressando e que todos os seres são partes integrantes desse processo. O sentimento de parentesco entre todos os seres nutre a compaixão do Cavaleiro, que reconhece e serve a Centelha do Divino existente nos demais seres como em si mesmo. A Coragem, ainda, capacita o Cavaleiro a vencer dragões, estando ele ciente de que, antes mesmo de enfrentar os dragões exteriores, precisará contar com essa virtude cultivada num grau máximo para confrontar seu próprio dragão interior.
122. Qual o significado da Misericórdia?
O exemplo do Cristo e o legado do Espírito Santo ensinam o Cavaleiro a defender a misericórdia e a benevolência como princípios fundamentais das suas ações. A ação misericordiosa é um exercício da melhoria do eu e o Cavaleiro a conserva por estar ciente de que seu exercício é transformador e prepara-o para os desafios da sua própria peregrinação.
123. Qual o significado da Sabedoria?
Por meio do estudo e da contemplação dos escritos sagrados que revelam a mensagem divina de amor e compaixão ao longo da história, o Cavaleiro convida a Sabedoria e a Ela se apega como um importante princípio ao longo de sua jornada. A Sabedoria é a herança e o propósito da imorredoura Tradição Arcana. Conforme se lê em Provérbios: “Não abandone a Sabedoria e Ela guardará você; ame-a e ela o protegerá” (Prov 4:6).
124. Qual o significado da Hospitalidade?
O reconhecimento da Centelha do Divino presente em todos os seres leva o Cavaleiro a manter as Casas abertas a toda a humanidade, sem discriminações de gênero, raça, religião, condição social ou orientação sexual. O Cavaleiro honra o antigo voto beneditino da hospitalidade e, na justiça sacramental, tal atitude significa oferecer a Eucaristia a todos os que têm fome.
125. Há um carisma monástico na E.G.A.L.?
Existe um ditado gnóstico que diz que instalamos mais altares do que construímos capelas. E como ele é verdadeiro! Cada membro da Igreja possui um Santuário em seu próprio lar, um centro sagrado e consagrado dedicado à devoção e à oração. Ainda que a Igreja seja um corpo eclesiástico, devemos entender que ela possui aspectos monásticos muito importantes e intensos. Somos uma comunidade clerical e iniciática, mas também um monastério sem muros e todos os nossos membros são considerados peregrinos na Grande Jornada. A natureza da nossa Igreja é a de servir os discípulos nos Mistérios, fornecendo a orientação e os meios necessários para um caminho iniciático completo de Vida para que o Amor possa verdadeiramente se manifestar.
126. O que é a Sagrada Quadratura?
São os quatro princípios éticos que sustentam não apenas o verdadeiro Santuário da Gnose, mas também as religiões e filosofias herméticas. São eles:
- Amamos a Deus como Ele nos ama;
- Amamos ao próximo como a nós mesmos;
- Colhemos de acordo com o que semeamos;
- Compartilhamos o que recebemos.
127. O que são os Votos? O que é uma vida votiva?
Os VOTOS são uma maneira pessoal de dar corpo ao nosso amor por Deus, pelo Verbo (Logos) e pela criação. Uma VIDA VOTIVA significa que o significado da vida religiosa e iniciática tornou-se uma questão central da própria Vida.
128.Quais os Votos aos quais os membros da E.G.A.L. aderem?
Os Votos são aqueles presentes nos quatro artigos da Sagrada Quadratura.
129. Qual o papel da Regra?
A REGRA auxilia com o cumprimento dos Votos na vida.
130. Qual a Regra dos Discípulos?
A Regra do Círculo dos Discípulos é apresentada da seguinte maneira:
ANONYMITAS: a personalidade mundana deve ser subjugada pela Divina e, nos diferentes aspectos de nossa vida religiosa e iniciática, permanecemos incógnitos;
INSOLITATIS: o principal enfoque é no trabalho interior e devemos, sempre, garantir a pureza de nosso coração. Evidentemente, tal enfoque implica em determinado modo de Isolamento e, por essa razão, determinada forma de estranhamento frente à comunidade exotérica é gerada.
CONIUNCTIONEM: não devemos estar conectados apenas com os nossos irmãos na Ecclesia, mas também com a Tradição de nossa Igreja, velando para que ela possa se manifestar em toda a sua pureza e esplendor. Tenhamos sempre em mente que a reintegração é coletiva;
OBEDIENTIAM: a unidade com a Regra implica na corresponsabilidade pela Igreja. Não se trata de obediência absoluta, que somente devemos a Deus. Obediência: OB AUDIRE = OUVIR A. Precisamos ouvir atentamente e considerar as autoridades sacerdotais de nossa comunidade, mas também nossa autoridade interior, guiada pela razão, pela compaixão e pela constância de nosso estudo e reflexão. Quando encontramos a Verdade, devemos nos responsabilizar por integrá-la em nossas vidas.
VIRTUTIBUS: o cultivo das virtudes e a meditação nelas é uma de nossas responsabilidades mais importantes. São elas que norteiam a Regra. As Virtudes Cardinais são a Prudência (Terra), a Temperança (Água), a Justiça (Ar) e a Fortaleza (Fogo); as Virtudes Teologais são a Fé (Enxofre), a Esperança (Mercúrio), a Caridade (Sal); as Virtudes Cavaleirescas, compreendidas a partir da perspectiva iniciática, são a Pobreza (Corpo), a Castidade (Alma) e a Obediência (Espírito).
ORATIO: a Prece do Coração é um exercício diário, uma forma de oração, de expressão da nossa devoção e de dedicação de nosso dia e atividades ao Grande Mistério. Na prática hesicasta da Oração Contemplativa, temos nossa forma de Habitar com Deus.
REFUGIUM MEUM: anualmente, no dia que tradicionalmente chamamos de dia C, reunimo-nos em nosso retiro anual. Esse é um tempo reservado para a reflexão sobre nossas ações e sobre nosso comprometimento perante a Tradição, bem como para a elevação de nossa consciência para o Logos. Caso um membro da Igreja não possa se fazer presente no dia do refúgio, é seu dever justificar tal ausência, por escrito, para o Sacerdos de seu Santuário da Gnose. Este sexto artigo da Regra nos recorda dos seis artigos da Regra dos Rosa+Cruzes, conforme descrita no Fama Fraternitatis, e com a qual estamos em acordo.
THEURGICAM DISCIPLINAM: a observância dos Reconhecimentos do Discípulo e de determinados Ritos Arcanos, a participação nos Sacramentos do Logos, bem como o cultivo da proximidade de Sophia nos proporciona o movimento de ascensão da alma. Por outro lado, tais observâncias também proporcionam o descenso da Alta Invisibilidade. Os movimentos de ascensão e descenso, quando ocasionados pela operação teúrgica mais exata, proporcionam o encontro do humano com o Divino.
